O mercado de criptomoedas foi dominado por volatilidade e aversão ao risco nesta quarta-feira, 17 de dezembro, com o Bitcoin exibindo oscilações bruscas e sinais técnicos de fragilidade.
Investidores reduziram posições diante da piora do humor em ações de tecnologia nos Estados Unidos, conciliando receio com a expectativa pela divulgação do índice de preços ao consumidor, CPI, considerado decisivo para as próximas decisões do Federal Reserve.
Nesse cenário, o apetite por ativos de maior risco encolheu, e plataformas apontaram quedas relevantes em grandes criptoativos, com liquidações no mercado de derivativos reforçando a cautela, conforme informação divulgada pelo Investing.com
Preço e movimento intradiário
Conforme dados acompanhados durante a sessão, o Bitcoin era negociado a US$ 85.959,3, com queda de 1,86% no dia, segundo dados da Binance. O Ethereum mostrou recuo mais acentuado, com cotação em US$ 2.817,72, com baixa de 4,33%, enquanto a Solana registrou perda relevante, sendo negociada a US$ 122,164, com queda de 4,35%.
Esses números traduzem uma correlação disseminada entre os principais criptoativos, após tentativas frustradas de recuperação ao longo do pregão, e refletem maior sensibilidade dos mercados a eventos macroeconômicos e a oscilações em setores de tecnologia.
Fatores macro e reação do mercado
A combinação entre inflação ainda resiliente, sinais de desaceleração econômica global e liquidez mais restrita tem limitado reações positivas, mesmo após cortes recentes de juros. A proximidade da divulgação do CPI americano colocou os investidores em compasso de espera, já que o indicador pode alterar expectativas sobre a trajetória dos juros e o apetite por risco.
O desempenho negativo das criptomoedas coincidiu com fortes quedas em ações ligadas à inteligência artificial, pressionando o Nasdaq e contagiando o mercado de risco. Em consequência, muitos players passaram a priorizar operações de curto prazo e reduzir volumes, alimentando a volatilidade e amplificando movimentos de liquidação em contratos alavancados.
Análises técnicas e avaliações de mercado
Do ponto de vista técnico, especialistas e ferramentas de análise destacaram estrutura de preço fragilizada, com o Bitcoin preso a uma faixa estreita e sem catalisadores claros para retomada. Ferramentas automatizadas indicaram que a ação do preço segue pressionada pelas médias móveis de referência.
Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, afirmou que, “Atualmente, observa-se uma drenagem persistente de liquidez no mercado cripto, O recente corte de juros pelo Fed, que em outros momentos funcionaria como combustível para ativos de risco, foi neutralizado por uma inflação ainda resiliente e pelo receio de que a economia global esteja esfriando mais rapidamente do que o esperado, Do ponto de vista técnico, o Bitcoin na região de US$ 86.800 apresenta uma estrutura de preço fragilizada, No curto prazo, o cenário mais provável é de lateralização com viés de queda, Já no horizonte de longo prazo, a retomada para níveis de seis dígitos parece ter sido adiada para o primeiro trimestre de 2026”.
Além disso, a análise do assistente WarrenAI destacou que “O BTC está navegando em uma tendência de baixa clara após rejeitar resistências críticas, o cenário é predominantemente de risco para quem busca compras. O preço segue abaixo das médias de 50 e 200 dias, com estrutura técnica favorecendo quedas adicionais se perder o suporte de US$ 83.900. Evite operar contra o fluxo principal e nunca entre vendido direto em suporte crítico (US$ 84k a 85k), pois pode haver armadilha para vendedores atrasados. Aguarde o rompimento com volume para confirmar direção”.
O que observar nas próximas sessões
Nos próximos dias, a atenção do mercado estará voltada para o CPI americano, cujos dados podem provocar reacelerações no movimento de aversão ao risco ou permitir algum alívio nas expectativas de aperto monetário. Qualquer surpresa inflacionária pode renovar pressões sobre ativos como o Bitcoin.
Investidores institucionais e grandes fluxos continuam a influenciar a dinâmica de preços, em especial em momentos de liquidez reduzida. Movimentos concentrados de entrada ou saída de posições podem amplificar oscilações e provocar liquidações em derivativos, fator que já foi observado ao longo da sessão.
Enquanto o ativo permanecer em uma faixa estreita de preço e sem novos catalisadores, a tendência de curto prazo apontada por analistas permanece de lateralização com viés negativo, o que recomenda cautela a quem busca entradas diretas em compra.
Conclusões e recomendações
O cenário atual para o Bitcoin reúne volatilidade, pressão macro e sensibilidade a eventos de risco, com impacto ampliado pela correlação com setores de tecnologia. Operadores e investidores de varejo devem considerar a redução de exposição, gestão rigorosa de risco e atenção a suportes críticos citados nas análises técnicas.
Resta aguardar a leitura do CPI e a reação dos mercados globais para definir um rumo mais claro para o conjunto de criptoativos. Até lá, a combinação de liquidez mais baixa e alta sensibilidade a notícias deixa o caminho aberto para oscilações abruptas e movimentos de curto prazo, exigindo disciplina e prudência na construção de posições.
Dados e análises citados nesta matéria foram compilados a partir de informações divulgadas pelo Investing.com