O mercado de criptoativos entrou em um momento de forte tensão, com Bitcoin pressionado perto dos US$ 85.000 e sinais claros de aversão ao risco entre investidores.
Apesar de dados macroeconômicos que inicialmente deram alívio, a alta não se sustentou, e o mercado rapidamente voltou a registrar liquidações. A liquidez reduzida de final de ano amplia a volatilidade.
O cenário será testado por um vencimento histórico de contratos de opções de aproximadamente US$ 23 bilhões na próxima semana, que pode gerar movimentos bruscos de preço e definir o tom do encerramento de 2025, conforme informação divulgada pelo Investing.com.
Cenário imediato e reação aos dados macro
O Índice de Preços ao Consumidor, CPI, dos EUA veio abaixo do esperado, com 2,7%, contra 3,1% previstos, o que inicialmente disparou um repique de alívio. Ainda assim, esse alívio não se sustentou no mercado cripto, e o tom seguiu defensivo e incerto, marcado por um volume massivo de liquidações, segundo o relato do Investing.com.
No pregão de quinta-feira, por volta das 17h20, o Bitcoin era negociado a US$ 85.050,0, registrando uma leve queda de -0,97% nas últimas 24 horas, após ter testado brevemente a faixa de US$ 89.400 pela manhã.
O Ethereum acompanhou a tendência de estabilização em níveis baixos, cotado a US$ 2.802,63, com variação de -0,60%, enquanto a Solana recuou com mais força, a US$ 118,112, queda de -3,75%, dados que ilustram a fragilidade ampla do setor.
Pressões específicas do mercado cripto
Além da incerteza trazida pelos dados macro, o mercado enfrenta riscos internos. Investidores acompanham a decisão da MSCI em 15 de janeiro, que pode excluir empresas com tesouraria em cripto de seus índices, e a possível pressão de venda de carteiras anteriormente inativas.
O relatório do Investing.com destaca que movimentos de preço chegaram a movimentar US$ 130 bilhões em valor de mercado em apenas uma hora durante a sessão americana de quarta-feira, evidenciando como a estrutura de liquidez atual amplifica oscilações.
O mercado de opções também mostra inclinação baixista, com skew negativo, e traders concentraram cerca de US$ 1,4 bilhão em apostas de venda, puts, no patamar de US$ 85.000, que atua como um ímã de preço para o vencimento de 26 de dezembro.
Esse conjunto de fatores elevou a cautela, e a diminuição da liquidez provocou mais de US$ 630 milhões em liquidações totais no mercado, pressionando ainda mais os preços de criptoativos.
Sinais de resistência institucional e dados on-chain
Apesar do ambiente adverso, há sinais de demanda institucional que amenizam parte da pressão de baixa. Segundo informações do Investing.com, dados da K33 Research apontam que a fase de venda agressiva dos detentores de longo prazo está terminando, o que pode aliviar o estresse de oferta.
Também foi destacado que a Strategy adicionou mais de 223 mil BTC às suas reservas em 2025, numa estratégia agressiva de acumulação que contrasta com a venda de curto prazo.
Em paralelo, a rede Lightning Network atingiu sua capacidade histórica recorde, um indicador de aumento de utilidade do Bitcoin para transações rápidas e com custos menores, segundo análise citada pelo Investing.com.
Análises técnicas e cenário para o fim de ano
Do ponto de vista técnico, o WarrenAI avaliou que o BTC está em consolidação dentro de uma forte tendência de baixa, com risco elevado de continuação da queda, e colocou um suporte crítico em US$ 80.600, conforme o conteúdo reproduzido pelo Investing.com.
A recomendação técnica aponta que, apesar de sinais de sobrevenda, qualquer alta seria apenas um alívio temporário, e que não se deve antecipar reversão sem sinais claros de rompimento ou formação de base. O aviso inclui a necessidade de usar stops, dado o risco de movimentos bruscos em ambiente de baixa liquidez.
Na prática, isso significa que, no curto prazo, a probabilidade de lateralização errática e de novos testes de suporte é alta, enquanto investidores decidem se a queda das pressões inflacionárias nos EUA é suficiente para alterar a estrutura de risco do mercado cripto.
O que observar nas próximas semanas
Os próximos dias trazem pontos de atenção claros. Primeiro, o vencimento de opções estimado em US$ 23 bilhões, que pode provocar concentrações de ordens e movimentos de preço abruptos.
Segundo, a decisão da MSCI em meados de janeiro, que pode alterar o apetite institucional por empresas com reservas em cripto, mudando fluxos de capital relevantes para o setor.
Terceiro, o comportamento dos detentores de longo prazo, cuja venda agressiva, segundo K33 Research, estaria perdendo força, e a continuidade de acumulação por instituições, como a Strategy, que aumentou suas reservas, pode ser um fator estabilizador no médio prazo.
Por fim, indicadores on-chain como o crescimento da Lightning Network e a relação entre demanda institucional e ritmo de mineração serão fundamentais para avaliar se o Bitcoin tem suporte para evitar o pior encerramento de ano desde 2022, ou se seguirá em direção a novas perdas até o final do período.
Em resumo, o mercado caminha entre dados macro favoráveis e riscos estruturais internos, com o Bitcoin preso em torno de US$ 85.000, grandes vencimentos de opções, e liquidez reduzida que pode amplificar qualquer direção do preço. A recomendação para investidores é manter cautela, gerenciar risco e acompanhar de perto os eventos programados nas próximas semanas.