Blue Origin adia missão NS-37 após detectar problema nos controles internos, nova data do voo do New Shepard com cadeirante Michaela Benthaus será anunciada

A Blue Origin adiou o lançamento da missão NS-37, previsto para a tarde desta quinta, após um alerta técnico nos sistemas de controle internos.

O voo, que deve levar a engenheira Michaela Benthaus, usuária de cadeira de rodas, seria um marco para acessibilidade no turismo espacial.

A nova data ainda será definida, e a empresa informou que avaliará a próxima oportunidade de lançamento, segundo comunicado da Blue Origin no X e entrevistas publicadas pela CNN.

O que motivou o adiamento e o que já se sabe

Em publicação no X, a Blue Origin afirmou que a decolagem foi interrompida preventivamente por uma questão técnica detectada antes do voo.

No post, a empresa escreveu: “A missão NS-37 de hoje foi cancelada após a equipe de lançamento ter detectado um problema em nossos controles internos antes do voo. Estamos avaliando nossa próxima oportunidade de lançamento.”

A declaração indica uma atuação de segurança padrão, com a equipe priorizando checagens de confiabilidade antes de liberar a decolagem do New Shepard.

Esse procedimento é comum em voos suborbitais, que contam com janelas curtas e dependem de validações rigorosas a cada etapa do cronograma.

O adiamento não encerra a missão, apenas desloca o voo para uma nova janela, a ser confirmada pela Blue Origin nos próximos dias.

Para a tripulação, isso significa extensão do preparo operacional, sem alteração, até aqui, dos nomes previstos a bordo.

Quem é Michaela Benthaus e por que este voo é histórico

Michaela Benthaus é engenheira aeroespacial e mecatrônica da Agência Espacial Europeia, e deve se tornar a primeira pessoa em cadeira de rodas a ir ao espaço.

A oportunidade surgiu após um encontro casual com Hans Koenigsmann, ex-executivo da SpaceX, durante um evento em Munique no ano passado.

Segundo a CNN, Koenigsmann relatou como a ideia evoluiu a partir de um desejo antigo de Benthaus de viver uma experiência espacial.

“Ela disse que estava pensando apenas em um voo suborbital”, contou Koenigsmann, ao explicar o plano de buscar um parceiro com perfil adequado.

Ele procurou a Blue Origin, que opera voos suborbitais breves, e relatou a resposta inicial da empresa ao convite.

“Eles responderam muito, muito bem ao nosso contato”, afirmou, destacando a abertura para viabilizar o assento.

Benthaus descreveu a surpresa ao saber que a iniciativa estava avançando com o suporte de Koenigsmann.

“Quando Hans me disse: ‘Blue está animada com isso’, eu pensei: ‘Tem certeza? Tem certeza de que entendeu direito?’”, disse a engenheira à CNN.

Em outra fala, ela resumiu a dimensão pessoal do projeto para sua trajetória e seus sonhos.

“Eu sempre quis ir para o espaço, mas nunca considerei isso algo que eu realmente pudesse fazer.”

De acordo com a CNN, Koenigsmann voará como acompanhante de Benthaus, atuando para auxiliar em procedimentos, se necessário.

Esse arranjo acrescenta uma camada de segurança e inclusão, reforçando a preparação para situações de suporte durante o perfil do voo.

Como será o voo no New Shepard e quais são os desafios

O New Shepard realiza voos suborbitais de cerca de 10 minutos, com subida, microgravidade breve e retorno controlado ao deserto do oeste do Texas.

O perfil típico ultrapassa a Linha de Kármán, a aproximadamente 100 quilômetros de altitude, ponto de referência para a fronteira do espaço.

Nesse tipo de voo, passageiros experimentam de três a quatro minutos de gravidade zero, flutuando livremente dentro da cápsula.

A cápsula usada tem cerca de 4,5 metros de largura, com janelas amplas, assentos reclináveis e painéis de acesso para procedimentos de segurança.

Segundo a CNN, Benthaus deve entrar e sair da cápsula sozinha, usando um banco auxiliar, estratégia testada nos treinos prévios no Texas.

Para estabilização, ela usará uma tira para manter as pernas presas, evitando movimentos involuntários durante o período de microgravidade.

O plano prevê que Benthaus retorne ao assento sem dificuldades, com Koenigsmann pronto para ajudar em qualquer necessidade a bordo.

Se houver emergência que exija saída rápida, Koenigsmann apoiará a evacuação, conforme os procedimentos praticados com a equipe técnica.

“A Blue Origin está super bem preparada”, disse Benthaus, após duas visitas às instalações da empresa para ajustes do voo, segundo a CNN.

Esse rigor de preparação busca antecipar cenários e garantir que a experiência seja segura e acessível para todos os tripulantes.

Voos similares do New Shepard já levaram mais de 80 pessoas, entre elas Jeff Bezos, Katy Perry e William Shatner, em perfil turístico suborbital.

O histórico reforça a capacidade da plataforma em missões de curta duração, com foco em experiências de microgravidade e vistas panorâmicas.

Próximos passos da missão NS-37 e impacto para a acessibilidade

Com o adiamento, a Blue Origin avaliará a causa do alerta nos controles e definirá a nova janela de lançamento da missão NS-37.

A empresa deve comunicar atualização assim que as checagens forem concluídas e as condições de segurança estiverem validadas.

Para Benthaus, o voo representa avanço simbólico e técnico na inclusão de pessoas com deficiência em atividades de turismo espacial.

O processo também pode orientar melhorias de design em cabines, sistemas de apoio e protocolos de assistência a bordo.

A parceria entre Koenigsmann e a Blue Origin mostra como o setor pode convergir em torno de objetivos de acessibilidade e segurança.

Embora concorrentes em modelos de negócio, o interesse comum em ampliar o acesso à experiência espacial tende a impulsionar inovação.

Para o público, a expectativa recai agora sobre a nova data, e sobre como a missão demonstrará ajustes e boas práticas operacionais.

Os próximos dias devem trazer sinais sobre prontidão técnica e calendário, fatores que determinam a retomada da contagem regressiva.

Enquanto isso, Benthaus e os demais tripulantes seguem sob rotina de preparo, com foco na comunicação clara e nos ensaios de cabine.

O sucesso da missão NS-37 pode abrir caminho para novos protocolos de inclusão, consolidando o New Shepard como plataforma de referência.

Nesse cenário, a Blue Origin reforça a imagem de empresa aberta a desafios de acessibilidade sem abrir mão da cultura de segurança.

Quando a nova janela for confirmada, a missão ganhará peso extra, por sua dimensão tecnológica e por seu valor humano e histórico.

Até lá, permanece o compromisso público, formalizado no X, de só decolar quando todas as verificações apontarem risco residual aceitável.

O adiamento, comunicado com transparência, sustenta a estratégia de voos seguros, especialmente em operações com passageiros.

Com a retomada, a expectativa é que a experiência mostre, na prática, como tornar a microgravidade mais acessível e inclusiva.

Se confirmada, a estreia de uma pessoa em cadeira de rodas no espaço marcará um antes e depois para o turismo suborbital.

A Blue Origin, ao replanejar a missão NS-37, busca entregar um voo exemplar, com narrativa de superação, preparo e confiança técnica.

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