tesla não entrega
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Deutsche Bank projeta 405.000 veículos para o 4º trimestre, com queda nas regiões centrais, China mais resiliente e foco no robotáxi guiando a narrativa

As entregas da Tesla no 4º trimestre de 2025 devem vir abaixo do consenso, segundo o analista Edison Yu, do Deutsche Bank, com pressão mais forte nos EUA e na Europa.

O banco estima volumes globais de cerca de 405.000 unidades no trimestre, indicando retração anual e sequencial, mesmo com algum suporte vindo da China.

Os números, as razões e os impactos em margens e valuation foram detalhados em relatório, conforme informação divulgada pelo Investing.com.

Projeção de entregas e corte de expectativas.

O Deutsche Bank vê as entregas da Tesla no trimestre em nível mais fraco, diante de um ambiente de demanda mais desafiador nos principais mercados ocidentais.

De acordo com Edison Yu, a leitura de dados até novembro já sinalizava desaceleração, com registros na China aquém do ritmo esperado para o período.

Em seu cenário, a curva de vendas do fim de ano deve manter algum fôlego, mas insuficiente para reverter a perda de tração na comparação com 2024.

Nas palavras do relatório, “Yu prevê entregas no quarto trimestre de cerca de 405.000 veículos, o que implicaria uma queda de 14% em relação ao ano anterior e uma queda de 19% em relação ao trimestre anterior.”

O analista atribui a surpresa negativa a uma combinação de menores volumes nos EUA e na Europa, com menor contribuição da China para o gap.

Para além do trimestre, o banco pondera que o consenso ao longo de 2025 permanece otimista demais frente ao padrão recente de demanda.

EUA, Europa e China, onde está a pressão.

Segundo Yu, a deficiência está concentrada nos mercados ocidentais, com quedas expressivas nas entregas da Tesla na Europa e na América do Norte.

O relatório destaca que, nesses polos, a normalização do ciclo de preços e a competição elevaram a seletividade do consumidor no fim do ano.

O documento aponta que “Europa e América do Norte [devem] registrar quedas nas entregas de 34% e 33%, respectivamente”, frente ao mesmo período do ano anterior.

Na China, a leitura é mais resiliente, ainda que negativa, com recuo mais moderado previsto para o trimestre de referência.

O banco resume que “os volumes na China também devem cair, embora em menor proporção. Yu espera que as entregas na China diminuam cerca de 10%.”

Os registros até novembro correram abaixo do necessário para cumprir a estimativa trimestral mais robusta do Deutsche Bank.

O texto indica que “os dados de registro até novembro acompanharam cerca de 100.000 unidades, em comparação com a estimativa do Deutsche Bank de 178.000 entregas para o trimestre completo.”

Mesmo assim, dezembro tende a ser o mês mais forte para a marca, com efeito sazonal relevante na virada do ano na região.

O banco lembra que “dezembro tem sido historicamente o mês mais forte da Tesla na China e espera um padrão semelhante este ano.”

Uma mudança regulatória também pode ter adiantado parte da demanda, apoiando as entregas da Tesla no fim de 2025 no país asiático.

O relatório ressalta que um imposto de consumo NEV mais alto em 2026 pode incentivar a antecipação de compras no quarto trimestre.

No restante do mundo, a fotografia aparece menos pressionada, com variações positivas na comparação anual que aliviam o quadro global.

O Deutsche Bank assinala que “as entregas fora das principais regiões da Tesla cresçam mais de 60% em relação ao ano anterior, compensando parcialmente a fraqueza em outros lugares.”

Margens, produção e impactos financeiros.

Com volumes mais baixos, o banco projeta pressão adicional na lucratividade do segmento automotivo no trimestre analisado.

A avaliação é que a menor produção e a diluição mais fraca de custos fixos comprimem as margens em relação ao trimestre anterior.

O relatório afirma que “Yu prevê que a margem bruta automotiva, excluindo créditos, diminua sequencialmente para 14,4%, uma queda de 100 pontos base em relação ao terceiro trimestre.”

A origem dessa compressão, segundo o banco, está “principalmente [ligada] à absorção mais fraca de custos fixos vinculada à menor produção e entregas.”

Esse recuo nas margens limita a capacidade de amortecer oscilações de preço e intensifica o foco em eficiência operacional.

No horizonte de 2025, o banco entende que as estimativas de mercado seguem elevadas frente às sinalizações de demanda.

O texto registra que “enquanto o consenso está centrado em torno de 1,66 milhão de veículos para 2025, o Deutsche Bank projeta 1,62 milhão de unidades.”

O banco acrescenta que essa marca “implica uma queda de 9% em relação ao ano anterior com base em suas suposições para o quarto trimestre.”

Para investidores, o quadro indica um período de transição, com foco em mix, custo e oferta de software, diante de volumes mais brandos.

Apesar do ajuste, a base de usuários e o pipeline tecnológico seguem como pilares para a tese de longo prazo, avalia o banco.

Robotáxi, humanoides e o papel no valuation.

Mesmo com as entregas da Tesla sob pressão, a narrativa de robotáxi permanece central para sustentar múltiplos, segundo o Deutsche Bank.

As metas públicas de frota autônoma seguem ambiciosas, mas a execução no curto prazo deve ser mais gradual que o discurso inicial.

O texto menciona que “Elon Musk sugeriu anteriormente uma frota de cerca de 1.000 robotáxis na área da Baía de São Francisco e mais de 500 em Austin.”

O banco pondera que, em seu acompanhamento, “esses níveis provavelmente não serão alcançados no curto prazo”, o que modera a curva de adoção.

Apesar disso, há sinais de avanço técnico, com testes internos que podem antecipar a próxima etapa de implantação.

O relatório detalha que “a Tesla recentemente removeu o motorista de segurança em Austin para testes internos de validação.”

Na visão de Yu, essa medida “é um sinal de que uma implementação mais ampla poderia estar se aproximando”, elevando o peso do software na tese.

Além do robotáxi, iniciativas em humanoides também entram na conta de valuation, com potencial de novas linhas de receita.

Essa cesta de inovação ajuda a contrabalançar premissas mais conservadoras para o negócio automotivo tradicional no curto prazo.

Refletindo esse balanço, o banco revisou seu preço-alvo, mantendo recomendação positiva para as ações da fabricante.

O documento registra que “o Deutsche Bank elevou seu preço-alvo para as ações da Tesla com recomendação de Compra em US$ 30 para US$ 500.”

Segundo o texto, a mudança “reflete múltiplos de avaliação mais altos para iniciativas de robotáxi e humanoides, parcialmente compensados por suposições mais baixas para o negócio automotivo principal.”

Com isso, o debate de mercado deve seguir dividido entre a dinâmica de curto prazo e o valor embutido nas plataformas de software.

Para analistas, a velocidade de execução em autonomia, dados e serviços pode reancorar expectativas, mesmo com volumes mais fracos.

No cenário atual, a visibilidade para as entregas da Tesla em 2026 e adiante dependerá da normalização de estoques e da resposta de preço.

Ao mesmo tempo, a competição global e a política industrial em grandes mercados seguirão moldando o ritmo de crescimento.

Na prática, 2025 se desenha como um ano de ajuste, com margens e volumes calibrando um novo patamar para a tese de longo prazo.

Enquanto isso, a execução dos projetos de robotáxi e humanoides será monitorada como catalisador potencial de valor.

Para os próximos trimestres, a atenção recai sobre sinais de demanda, elasticidade de preços e avanço regulatório em autonomia.

Nesse quadro, o diferencial competitivo em software e escala de dados tende a ser decisivo para a trajetória de margens.

A leitura do Deutsche Bank sugere cautela tática, mas reforça convicção estratégica ancorada em inovação e efeito de rede.

Em síntese, as entregas da Tesla devem decepcionar no curto prazo, com o case de tecnologia sustentando a visão de longo prazo do banco.

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