O mercado de criptomoedas seguiu com movimento contido na quinta-feira, com o Bitcoin sem conseguir avançar de forma decisiva acima de níveis-chave, apesar de dados de inflação americana mais brandos que o esperado.

O recuo de curto prazo aparece acompanhado de saídas persistentes de fundos negociados em bolsa de bitcoin à vista, e de um posicionamento cauteloso dos investidores diante das perspectivas para a política monetária do Federal Reserve.

Os dados e as reações do mercado são parte de um cenário que combina indicadores econômicos mistos e fluxo de capital em mudança, conforme informação divulgada pelo Investing.com.

Movimento do preço e leitura imediata

A maior criptomoeda do mundo era negociada com queda de 1,2% a US$ 88.628,0 às 14:26 (horário de Brasília). O ativo não conseguiu realizar uma recuperação decisiva acima da marca de US$ 90.000 após os ganhos do início do ano, refletindo um mercado em consolidação em vez de expansão.

Esse comportamento mostra que, mesmo com notícias macroeconômicas que poderiam favorecer ativos de risco, persistem forças contrárias, entre elas a retirada de capital por parte de investidores institucionais.

Inflação mais branda e o impacto nas expectativas do Fed

Os dados do Índice de Preços ao Consumidor, referentes a novembro, trouxeram surpresa para baixo e mudaram ligeiramente a avaliação do mercado sobre o calendário de cortes de juros do Fed.

O índice aumentou a um ritmo anual de 2,7% no mês passado, de acordo com uma divulgação atrasada do Bureau of Labor Statistics. Isso se compara com um aumento de 3,1% esperado pelos economistas pesquisados pela Dow Jones.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 2,6% em relação ao ano anterior, abaixo das expectativas de um aumento de 3%.

Esses números levaram a ferramentas de mercado a recalibrar probabilidades, com a ferramenta FedWatch do CME Group mostrando cerca de 60% de probabilidade de um corte de taxa em março, acima dos aproximadamente 54% do dia anterior.

Com a inflação mostrando sinal de arrefecimento, os investidores passaram a avaliar que o Federal Reserve teria mais espaço para flexibilizar a política em 2026, o que costuma beneficiar ativos de risco em cenários de liquidez maior.

Saídas de ETFs e a pressão sobre o preço

Apesar do ambiente potencialmente favorável, o Bitcoin vem sofrendo com fluxos negativos em ETFs à vista listados nos Estados Unidos. Investidores continuaram retirando capital dos ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA, estendendo um padrão de resgates líquidos que erodiu uma fonte-chave de demanda institucional.

Participantes do mercado afirmam que essas saídas removeram o suporte crítico que sustentou a alta do Bitcoin no início do ano, intensificando a pressão sobre o preço e limitando a capacidade de retomada acima de patamares psicológicos, como os US$ 90.000.

Ao mesmo tempo, o quadro de dados econômicos mistura sinais, e isso modera a convicção sobre a trajetória de flexibilização do Fed, mantendo muitos investidores em modo de espera.

Dados do emprego e fatores políticos

No início da semana, dados atrasados de folha de pagamento e emprego dos EUA mostraram um mercado de trabalho com sinais mistos. As folhas de pagamento não agrícolas se recuperaram modestamente em novembro após um forte declínio em outubro, mas a taxa de desemprego subiu para seu nível mais alto em anos.

Esses elementos, combinados com comentários políticos sobre a direção futura do Federal Reserve, adicionam volatilidade às expectativas de juros e, por consequência, ao apetite por ativos voláteis como o Bitcoin.

Desempenho das principais altcoins

A cautela no mercado de criptomoedas não afetou apenas o Bitcoin. O Ethereum, segunda maior criptomoeda do mundo, recuou 1% para US$ 2.962,10.

O XRP, terceira maior criptomoeda do mundo, caiu 2,7% para US$ 1,91. Solana e Cardano caíram mais de 4% cada, enquanto Polygon recuou 2,7%.

Entre os tokens meme, tanto Dogecoin quanto $TRUMP caíram cerca de 3%. O movimento generalizado de queda entre altcoins reforça um sentimento de aversão ao risco em prazos curtos.

O que olhar nas próximas semanas

Investidores e observadores de mercado devem monitorar três vetores principais: os fluxos de capital para ETFs de Bitcoin, a série de dados econômicos que poderão confirmar ou não a tendência de inflação decrescente, e as mensagens do Federal Reserve.

Se as saídas de ETFs persistirem, o Bitcoin pode continuar limitado por falta de suporte institucional, mesmo que o cenário macro ajude a reduzir custos de financiamento no futuro.

Por outro lado, uma reversão nos fluxos ou uma nova onda de demanda por risco poderia permitir uma retomada acima de níveis técnicos importantes, embora a atual consolidação mostre que o caminho é incerto.

Conclusão

O quadro atual mostra um Bitcoin que, apesar de dados de inflação mais suaves, segue estagnado perto de US$ 88,6 mil, com pressão vinda de saídas de ETFs e de um mercado que ainda digere sinais contraditórios da economia americana.

Para traders e investidores, a recomendação é acompanhar de perto os dados de fluxo, comunicados do Fed e os próximos relatórios econômicos, mantendo gestão de risco adequada enquanto o mercado busca um novo catalisador decisivo.

Informações e dados citados, conforme informação divulgada pelo Investing.com.

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