S&P 500 a 8.000, ouro a US$ 5.400 e Tesla dobrando, o que esperar do ciclo até 2026 segundo a Evercore ISI

Um novo rali amplo nos mercados ganha tração nas projeções de um dos nomes mais seguidos da análise técnica. A leitura combina queda de inflação, juros menores e dólar mais fraco.

No centro do cenário estão metas ambiciosas, com S&P 500 a 8.000 no fim de 2026, ouro a US$ 5.400 e prata a US$ 100. A aposta inclui ainda petróleo em baixa e tecnologia liderando.

As estimativas são de Rich Ross, diretor sênior e chefe de análise técnica da Evercore ISI, conforme divulgado pelo Investing.com.

Cenário para S&P 500 a 8.000 em 2026

Ross defende que as condições estão se alinhando para uma poderosa extensão do ciclo de alta. Para ele, o rali passa a se espalhar por setores e estilos de investimento.

O estrategista projeta que o S&P 500 alcance 7.000 até o fim de 2025 e 7.400 no início de 2026, com S&P 500 a 8.000 no fechamento do próximo ano.

Segundo Ross, a combinação de inflação em queda, rendimentos menores e energia mais barata favorece a expansão de múltiplos e lucros.

Ele acrescenta que curvas de juros mais íngremes e spreads mais apertados constroem o pano de fundo para a rotação positiva em ações.

A visão é otimista no top-down e no bottom-up, pontua o relatório, com os ganhos se espalhando além de gigantes de tecnologia.

Em outras palavras, a tese é de amplitude de mercado, com setores cíclicos e sensíveis a juros ganhando fôlego.

Nesse roteiro, as novas máximas não seriam uma exceção, mas um marco de um ciclo de maior duração.

Para o investidor, o foco volta a ser risco bem calibrado, liquidez e qualidade operacional, diz o estudo.

Juros e dólar alimentam apetite por risco

Nos títulos, Ross espera o rendimento do Treasury de 10 anos recuar para 3,0% a 3,6%. A queda seguiria o movimento de 2 anos, inflação e taxa de política monetária.

Com a inclinação positiva da curva, a configuração é considerada construtiva para renda fixa e para ações, pontua o estrategista.

No câmbio, o Índice Dólar teria espaço para cair até a região de 90, após o que ele descreve como o pior colapso do primeiro semestre em 50 anos.

Um dólar mais fraco tende a aliviar condições financeiras globais, o que reforça a tese de apetite por risco.

No par EUR/USD, Ross espera rompimento acima de 1,20, saindo de uma base de 10 anos, o que reforçaria o ciclo pró Europa e emergentes.

Ele também sinaliza força no iuane chinês offshore, enquanto o USD/JPY tenderia a estagnar próximo de 160.

Para o mercado acionário, um dólar em queda e juros menores são ventos a favor de lucros, múltiplos e fluxo para ativos de risco.

Esses fatores ajudam a sustentar a meta de S&P 500 a 8.000, com ganhos disseminados em diferentes temas setoriais.

O pano de fundo macro, portanto, migra de restritivo para estimulativo, ainda que de modo gradual e dependente de dados.

Em ciclos anteriores, essa combinação favoreceu retornos superiores de renda variável frente à renda fixa.

Commodities, ouro e prata em destaque

No petróleo, Ross vê o WTI rompendo para baixo de um topo de vários anos, com queda material dos preços à frente.

Em sua avaliação, a queda do petróleo, sem recessão, costuma ser historicamente positiva para ações e consumo.

No gás, a projeção é que Gás Natural Futuros caia para perto de US$ 2, um alívio relevante para custos e inflação.

No ouro, a aposta é central e otimista. Ross mira ouro a US$ 5.400, apoiado em dólar fraco e rendimentos em queda, além do impulso técnico.

O metal se beneficiaria do ambiente de menor custo de oportunidade, com investidores buscando proteção e beta de qualidade.

Na prata, a visão é ainda mais ousada. Ross fala em superciclo, destacando rompimento de uma formação de taça e alça de 45 anos.

Com isso, ele mira Silver Futures a US$ 100, em um movimento que cimentaria a força do complexo de metais preciosos.

Se confirmado, o rali de ouro e prata reforçaria mineradoras e ativos correlatos, enquanto realça a tese pró commodities selecionadas.

Para carteiras, o mix de energia mais barata e metais fortes tende a melhorar margens e a confiança do investidor.

Esse arranjo também dialoga com um dólar mais fraco, que costuma sustentar preços de commodities em geral.

Setores e ações favoritas até 2026

Na liderança de ações, a tecnologia segue como a negociação dominante, afirma Ross, com as tendências de IA intactas apesar do sentimento abalado.

No curto prazo, ele enxerga NVIDIA, Broadcom e TSMC como sobrevendidas em suporte, o que favorece retomadas técnicas.

Entre os destaques, Tesla e Palantir teriam potencial de dobrar de valor, caso o ciclo de crescimento e de IA se confirme.

Nos financeiros, Ross favorece bancos, gestores de ativos alternativos e empresas de pagamentos, com ganhos de beta.

No varejo, a expectativa é de recuperação, com o State Street SPDR S&P Retail ETF (NYSE:XRT) chegando ao fundo e iniciando reação.

Em biotecnologia, o movimento também seria forte, com Eli Lilly and Company (NYSE:LLY) mirando 1.400, segundo a análise.

Entre os potenciais retardatários, Ross cita bens de consumo básico, energia, materiais e FIIs, que podem ficar atrás do mercado amplo.

Com a rotação setorial, as altas tenderiam a ganhar amplitude, o que ajuda a sustentar a projeção de S&P 500 a 8.000.

Para o investidor, o mapa tático inclui tecnologia de qualidade, financeiras selecionadas e exposição a metais preciosos.

A combinação de temas de crescimento e defensivos não tradicionais pode reduzir volatilidade e capturar o ciclo.

Por outro lado, Ross recomenda cuidado com segmentos sensíveis a preços de commodities, caso a queda do petróleo se intensifique.

Ele ressalta ainda que a tese depende da manutenção do cenário de inflação benigno e de queda de juros.

Ao longo do período, dados de atividade e lucro corporativo serão o termômetro mais confiável para calibrar risco.

Mesmo com o viés positivo, projeções não são garantias. A trajetória até S&P 500 a 8.000 pode ocorrer com oscilações relevantes.

O investidor deve considerar perfil, liquidez e diversificação. A análise tem caráter informativo, não é recomendação.

Em síntese, a visão da Evercore ISI apresenta um roteiro onde dólar fraco, juros menores e tecnologia lideram o próximo ato do rali.

Se o quadro se concretizar, 2026 pode ficar marcado por alta de amplitude histórica, com metais preciosos em protagonismo.

Do lado macro, a chave é a convergência entre inflação, atividade e política monetária, sem recessão no horizonte.

Esse equilíbrio, somado a ganhos de produtividade e IA, sustenta a tese de lucros crescentes e múltiplos estáveis.

Na prática, isso coloca S&P 500 a 8.000 no radar, com ouro a US$ 5.400 e prata em rali, como vetores de diversificação.

As projeções e dados citados foram informados pelo Investing.com, com base na análise de Rich Ross, Evercore ISI.

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